sábado, janeiro 17, 2009

ILAN PAPPE - Historiador Israelense


















A Limpeza étnica da Palestina

Em maio de 2008 vários historiadores judeus revisaram e contestaram a historia oficial da saga judaica na Palestina
"Um povo sem terra para uma terra sem povo".
Um deles, e talvez o mais renomado, foi Ilan Pape, da Universidade de Haifa.

Seu seu livro, feito através de pesquisas, mostra que havia um plano sionista de ocupação de toda a Palestina, um plano para acabar com a população árabe nativa, esse plano data de 1930, plano idealizado por Ben Gurion. Esse plano começa a ser executado logo após o término da 2a. Guerra Mundial.
Na época todas as aldeias palestinas foram criteriosa e minuciosamente catalogadas pelos sionistas, cada árvore frutífera, cada poço, o tipo de solo foi registrado com precisão e cuidado.
Nessa época povo árabe da Palestina estava órfão dos seus líderes que haviam sido mortos na rebelião árabe de 1936, o que permitiu aos sionistas uma maior mobilidade nas suas ações.
Com o término da 2a. Guerra Mundial, os judeus voltam-se contra os britânicos porque estes resolveram não deixar a Palestina e criar dois estados, um árabe e outro judeu, sob a sua supervisão. A guerrilha judaica contra os britânicos acelerou a decisão deste de deixarem a Palestina, pois estavam enfraquecidos depois do término da 2a. grande guerra. A Grã-Bretanha transfere o poder da região à ONU que toma medidas de favorecimento aos judeus.
A partilha da Palestina, feita pela ONU, não obteve a concordância árabe que via nos judeus uma diretriz tão colonizadora quanto foi a própria Grã-Bretanha na região e como a França na Argélia. Além do mais, a população judaica era de 1/3 do total da população palestina e a ONU prometeu aos judeus metade do território! Metade desses judeus haviam chegado a 2 ou 3 anos antes e já obtiam 1/2 das terras da Palestina.
Alguns membros da ONU sabiam que estavam oferecendo um estado judeu com muitos palestinos nele, fato inaceitável para os sionistas, e que a expulsão/limpeza étnica seria imprescindível. Esses são os principais fatores da recusa árabe em aceitar a divisão da Palestina proposta pela ONU pela divisão da Palestina.
Pouco antes da declaração da criação do Estado de Israel, os sionista começaram a se preparar para atacar os árabes e para isso planejaram duas frentes, eles tinham a consciência de que os árabes tentariam desafiar a determinação da ONU. A primeira frente era a criação e solidificação de um exército regular para enfrentar os árabes, a outra frente era tomar toda a Palestina, expandir a fronteira determinada pela resolução da ONU.
Aproveitando-se da tensão reinante na região e provocando conflitos, os sionistas, atacavam aldeias uma a uma para expulsar os habitantes palestinos, isso ocorreu de forma não acelerada, mas contínua até maio de 1948 data da declaração da criação do estado de Israel. Em 10 de maio de 1948 quando o mandato inglês na região estava prestes a acabar, os sionistas aceleraram as suas ações de expulsão dos palestinos de suas localidades. Aversão da história oficial é que os árabes decidiram partir por conta própria por causa da propaganda e transmissões de rádio de países vizinhos aconselhando-os a partir, então 800 mil árabes partiram por conta própria de seus lares, de suas aldeias. Mentira, fábula, revela Pappe, não existem provas de tais transmissões radiofônicas, um fato é que tudo que ia ao ar era gravado pelos britânicos desde 1930 em toda a Palestina e também no Oriente Médio. Segundo Pappe, ninguém foge voluntariamente, com o a versão de Israel apregoa, quem foge não o faz voluntariamente. Ele conta histórias que ouviu em aldeias litorâneas da Palestina e de Israel. Declara que por decisão da ONU as pessoas deviam se tornar cidadãos israelenses e elas se resignaram a essa determinação, diziam: os otomanos nos oprimiram, os turcos e britânicos também, agora os judeus mandarão em nós. Essas populações eram constituídas de humildes camponeses e fazendeiros que viram isso como apenas mais um governo mandando neles, mas não acreditaram quando o Exército de Israel chegou e deu-lhes menos de 01 hora para abandonar a aldeia e levar o que podiam, aldeia em que viviam há centena de anos. O exército usou de violência, atirando para o alto para acelerar a fuga, massacrando aqueles que resistiam e até estuprou mulheres. No relato do livro, Ilan Pappe escreve ser incompreensível que um povo que sobreviveu a um holocausto três anos antes seja capaz de tal barbárie.
No livro Ben Gurion é apontado como o arquiteto do plano de limpeza étnica contra os palestinos, outro responsabilizado pela limpeza étnica é Yitzhak Rabin, Conta Pappe, que no centro da Palestina havia duas cidades, Lydda e Ramla, onde viviam mais de cem mil pessoas. No verão de 1948 Rabin erradicou essa população, ele obrigou, sob o quentíssimo verão palestino, a marchar até a Cisjordânia, a dezenas de quilometros, muitos morreram de sede e de fome. Pappe menciona que os maiores responsáveis pelas atrocidades cometidas foram aqueles que compunham o movimento trabalhista, que eram seus líderes.
Nos anos 50, do século 20, esse movimento de limpeza étnica prossegue porém, não se completou, tiveram que deixar 10% da população que desejavam eliminar soreviver. Foi assim que nasce as minorias árabes e israelenses. Para Ben Gurion e seus assessores esse era um número muito alto pois desejavam um estado judeu puro. Como não havia mais guerra era necessário uma outra forma de dar continuidade ao planejado e a forma escolhida era a expulsão sumaria dos palestinos das aldeias. Desde 1948 a máquina sionista de limpeza étnica dos palestinos não parou um dia seguer, ela funciona o tempo todo até os nossos dias.
Há uma definição, menciona Pappe, dada pelo site do Departamento de Estado dos EUA. Diz que após toda a operação de limpeza étnica, é apagada a história desse povo, não se limita a exterminar o povo, mas também a apagar sua história. O povo é apagado dos livros de história e do local. Israel pratica essa definição, como conta no livro. Há um mecanismo muito bem elaborado que inclui a plantação de florestas, a substituição de nomes palestinos por hebreus.
Nos anos 60 nascem os movimentos nacionalistas, a OLP, Fatah a Frente Democrática e outros que comparando com a Haganah, Irgun, são movimentos anticolonialistas em contraposição aos segundos que são movimentos colonialistas, porém com métodos de ação semelhantes. É bom lembrar aos israelenses que quando chamam os palestinos de terroristas que eles também já foram terroristas.
Do conceito de limpeza étnica passa para o conceito de bomba demográfica, que chamam de problema demográfico, é um conceito da maioria dos partidos políticos de Israel e membros da elite política. Há uma maneira quantitativa de saber quando os árabes se tornam um perigo, é quando a população palestina chega a 20 a 25 % da população de Israel. Se no Estado de Israel houver 25 mil não judeus com cidadania israelense, mas etnia árabe, aos olhos da elite política de Israel, é o fim do estado judeu. Seu temor é de que, políticos populistas usem de qualquer meio a sua disposição para impedir que a população palestina chega a 20% da população israelense.
Pappe acredita que a longo prazo Israel possa se tornar um estado que congregue outras crenças por dois motivos, o primeiro é que Israel hoje esta exagerando nos seus métodos contra os palestinos, no passado foram um pouco mais sensatos porque achavam que o mundo estava atento, hoje estão exagerando, estão testando a paciência mundial e quando o poder americano diminuir, e segundo ele isso ocorrerá, o mundo ficará mais corajoso para expor o lado racista de Israel. O segundo motivo é que não se esta conseguindo mais separar a população judaica e palestina na região, eles fizeram muitos assentamentos na região da Cisjordânia e as comunidades estão começando a se entrelaçar, há indícios disso, os israelense mais racistas já entendem que seus filhos devem aprender a língua árabe, e por outro lados os palestinos mais fanáticos já desejam que os filhos aprendam o hebraico, eles visualizam um estado binacional, que não necessáriamente nascerá com amor e nem felizes com tal realidade, mas chegando a conclusão de que qualquer outra situação será a destruição mútua, como denominam os americanos. Acredita que os processos locais e a impaciência mundial, com os problemas que Israel vem ocasionando ao mundo sobretudo no front Irã e Síria, construirá uma nova realidade na Palestina. Há uma probabilidade muito mais terrivel que é de que antes que o mundo possa agir Israel tenha sucesso na eliminação dos palestinos


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