quinta-feira, agosto 26, 2010

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO _ Vinicius de Moraes

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

quarta-feira, agosto 25, 2010

A Mídia quer por fogo no circo

O jornalista Josias de Souza em sua análise publicada hoje na FSP sob o título - Seja quem for que ganhar a eleição partidos aliados farão a festa - tenta influenciar o leitor com a idéia de que as alianças políticas, na verdade são ações entre amigos.

Josias mostra um analfabetismo político ou má fé. No atual sistema político brasiliero é impossível um governante, um partido, governar sem alainças. É impossíel sem alianças pré-estabelecidas conseguir uma relação satisfatoria, principalmente com o poder Legislativo, Câmara Federal e Senado.

O desenho político de alianças no Brasil, da forma como se encontra, foi assentuado fortemente pelo período ditatorial que se primou na fórmula toma lá, dá cá. Essa postura criou lideranças fisiológicas que até hoje atuam na política nacional, e jogam conforme as suas conveniências e pelo peso de influenciar a opinião pública, impõem aos que governam limites de ação.

O governo FHC, nas alianças que realizou com PMDB e o atual DEM, perdeu o controle político e, também por interesses escusos como a reeleição e as privatizações, rifou todos os ideais dos sociais democratas. FHC e as lideranças do PSDB levou o partido a perder a sua identidade, perder o contato com o povo, optou com essa ação pela elite que escraviza esse país a séculos.

Lula no seu governo também fez alianças, mas qual a diferença entre Lula e FHC nesse aspecto. A diferença é que Lula conteve a ganância dos aliados, Lula deu os anéis, não perdeu a mão.

Ao contrário de FHC, Lula aproximou-se do povo e essa é a verdadeira alainça, aliança que coloca limites aos aliados. O povo está mudando esse país e o instrumento dessa mudança é Lula e o PT.

O colunista no seu artigo quer passar a imagem de que tudo é igual e se é igual com Serra será menos igual.
Abaixo transcrevo o artigo:

ANÁLISE

Seja quem ganhar a eleição, partidos aliados farão a festa


ESCORADOS EM ALIANÇAS EXTRAVAGANTES, DILMA E SERRA COMPROMETEM, JÁ NA CAMPANHA, A CAPACIDADE DE SE FIRMAREM COMO LIDERANÇAS ÉTICAS


JOSIAS DE SOUZA
DE BRASÍLIA

O fisiologismo deixou de ser percebido como parte do sistema político brasileiro. Passou a ser entendido como o próprio sistema.
A reiteração do fenômeno conferiu ao anormal ares de normalidade. Em nome da pretensa "governabilidade", o absurdo passa por natural.
A campanha atual, marcada pela ausência de oposição a Lula, vai ao verbete da enciclopédia como marco estético na história das eleições.
O Brasil, que nunca tivera políticos de direita, perdeu também os que ainda se diziam de esquerda. Restou um imenso centrão.
Dilma Rousseff e José Serra são prisioneiros de um paradoxo. Prometem a continuidade do "avanço" atrelados ao atraso.
Mantém-se agora agora o ciclo que FHC batizara de "realismo". Em meio ao surto de amnésia, ninguém se lembra mais do que escreveu, disse ou fez no passado.
A Brasília dos últimos anos firmou-se como templo de um sistema administrativo que gira em torno de privilégios, verbas e empregos.
Tancredo Neves teve a sorte de morrer antes de por em prática a armadilha que engendrara. Herdeiro dos acordos, José Sarney honrou-os.
Acossado pelo impeachment, Fernando Collor renovou-os. Itamar Franco preservou-os. E Fernando Henrique Cardoso vestiu-os com traje intelectual.
Situou o anômalo num ponto qualquer entre as duas éticas de Max Weber, a da convicção e a da responsabilidade. Ao chegar ao Planalto, em 2002, Lula trazia na face a ilusão da novidade.
Dizia-se que, menos inepto que Sarney, mais honesto que Collor, menos transitório que Itamar e mais firme que FHC, teria autoridade para deter a sanha fisiológica.
Deu-se o oposto. O calor de urnas logo se esvaiu no chão frio e escorregadio do dia-a-dia administrativo. A aparência de super-homem derreteu no mensalão.
Vencido o ritual da eleição, os partidos consideram-se credenciados a avançar pelas estruturas do Estado. Em troca do apoio, pedem, exigem, chantageiam.
De um líder se espera que fixe padrões morais. Escorados em alianças extravagantes, Dilma e Serra comprometem, já na campanha, a capacidade de se firmarem como lideranças éticas.
No Brasil, aliança política tornou-se sinônimo de coligação partidária com fins lucrativos. Os partidos são movidos à base de certeza.
Sabem que, seja quem for o eleito, voltarão a entoar Ivete Sangalo, em 2011: Vai rolar a festa. Ou, por outra: a festa continuará rolando.
Olá...
Vou retomar os post no blog...
Os temas serão políticos, vinculados a eleição presidencial que está por vir
Desde já torno claro o meu voto
DILMA - Presidente
MERCADANTE - Governador
MARTA E NETINHO - Senadores

terça-feira, julho 21, 2009

Certeza


Sathya Sai Baba






As dificuldades vem e vão como nuvens passageiras. Você não precisa se preocupar com elas. Mantenha sua visão fixa no Sol. As vezes as nuvens cobrem o Sol, mas tenha paciência. Quando as nuvens forem embora, o Sol estará visível novamente. Da mesma maneira as nuvens da ilusão entram no caminho da visão da nossa Alma. Em tais situações, você não pode deixar sua mente vacilar. Tenha paciência. As nuvens retrocederão e o SOL reaparecerá com todo o seu esplendor!

segunda-feira, julho 20, 2009

A PAZ - SAHTYA SAI BABA


Se você quiser que a Paz reine no mundo, então você deve primeiro desenvolver a paz em você. Onde esta a Paz? Ela emana do nosso coração. O coração é a fonte de Paz, Verdade, retidão e Amor. Você esta ignorando o coração e procurando a Paz no mundo exterior. Haverá Paz no mundo somente quando você prencher seu coração com Amor. Qualquer trabalho que você fizer, faça-o com Amor. Hoje, o mundo está em desordem porque o homem não possui o amor puro. A Paz só reinará suprema neste mundo quando o homem desenvolver o puro Amor.
Sahtya Sai Baba

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