sexta-feira, agosto 03, 2007

Cansei



Reproduzido do site Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/)



Mauro Santayana


DEBATE ABERTO

O protesto de Dória Jr.

Temos que entender a ira de certas parcelas da classe média. A situação lhes é ainda favorável, mas elas se sentem estimuladas, pelo preconceito contra o operário, a organizar-se para os protestos vazios.
Mauro Santayana

O Sr. João Dória Júnior é um promotor de eventos, e vive disso. Não consta que ele tenha promovido quaisquer eventos, sem levar algum – entre eles a passeata de madames, com seus respectivos cães, pelas ruas de Campos do Jordão. São notáveis os encontros anuais de celebridades que organiza na ilha de Comandatuba, pagos pelas bolsas mais recheadas e generosas do grande empresariado nacional e multinacional. Seu pai, parlamentar nacionalista, foi também grande publicitário. O Sr. Dória Júnior, ligado ao setor, sabe o valor das comissões, e sempre leva a sua parte, como é natural nesse tipo de atividades. Por isso, cabe a pergunta: alguém teria pagado pela organização da passeata dos ricos e dos alienados da classe média, realizada domingo em São Paulo? Quem seriam esses financiadores?Business is business, e cada um se vira como pode. Mas não vale a pena discutir o Sr. Dória Júnior, cujas atividades são públicas.
O que temos a considerar é o que está por detrás desses movimentos. Depois de várias tentativas, como as do Movimento “Quero Mais Brasil”, insistem nos mesmos métodos usados pela direita em nosso país em 1964 e no Chile, em 1973. Mas só os néscios podem encontrar semelhanças entre aqueles tempos e os nossos. É bom começar pela situação internacional.
Naqueles anos, em plena guerra fria, os Estados Unidos, assustados com a perspectiva de que o exemplo de Cuba se alastrasse pelo continente, empenharam-se em comprar os parlamentos e os exércitos de todos os países. O pai do Sr. Dória foi dos que denunciaram a ação dos agentes norte-americanos e seus cúmplices nativos e, por isso, teve seu mandato cassado. Hoje, a situação é outra. Embora se preocupem com a Venezuela de Chávez e com a Bolívia de Morales, os norte-americanos não se encontram tão preocupados assim com o Brasil. Seus negócios não são ameaçados aqui, mesmo porque eles perderam a posição que tinham no passado, tendo em vista a invasão dos capitais ibéricos à América do Sul. Eles tentam agora estabelecer melhores vínculos, comerciais e políticos com o Brasil, e contam com o governo Lula, que lhes está abrindo a perspectiva de contar com um vasto canavial em terras nacionais. Ao contrário do que se pensa, eles farão tudo para garantir a estabilidade do atual governo, em que podem confiar.
Há quem veja, na crise aérea, alguma coisa parecida ao lock-out dos caminhoneiros no Chile de Allende. É preciso lembrar que Allende procurava construir realmente um sistema socialista no Chile. Como era democrata, acreditava, sinceramente, que era possível realizar o seu projeto sem violar o sistema eleitoral republicano. Contava com o apoio das grandes massas populares que se sentiam estimuladas a defender a nova dignidade adquirida. Estive em Santiago em março de 1973, quando se realizaram as últimas eleições parlamentares vencidas pela esquerda. A situação econômica, infelizmente, era desastrosa, em conseqüência da intervenção solerte dos Estados Unidos e da fuga de capitais que se seguiu. Amedrontados, os pequenos burgueses deixavam o país, e era possível comprar apartamentos por menos de mil dólares em Santiago. O abastecimento era precário, mas os trabalhadores não haviam perdido nada – mesmo porque, em qualquer lugar de Nossa América, os trabalhadores quase sempre não têm o que perder. Ao contrário, estavam, mesmo com as dificuldades do mercado, comendo melhor. Recordo-me de haver visitado, em seu gabinete, o Ministro do Trabalho, Luis Figueroa, que eu havia conhecido em Praga anos antes. Figueroa, como velho comunista, sentia o perigo no ar. Tentava conter os extremistas, muitos deles agentes provocadores a serviço de Washington. Ele me disse que a economia chilena era vulnerável, baseada na mineração, cujos preços estavam sob controle dos cartéis dos grandes compradores, os principais jornais chilenos se encontravam sob o comando das grandes famílias, aliadas aos ianques. E que a pequena classe média, que antes parecia solidária com os trabalhadores, estava, em razão disso, mudando de orientação. Era necessária uma decisão rápida: ou se impunha logo o sistema socialista, ou se moderavam o discurso e a ação do governo. O fato é que ele via incompatibilidade entre o processo eleitoral, já viciado, e o projeto de socialismo. O aprofundamento das medidas revolucionárias não lhe parecia possível, porque não se podia confiar na fidelidade das Forças Armadas chilenas. Sai de seu gabinete certo de que o sonho acabaria logo, depois de termos almoçado frugalmente, em sua própria mesa de trabalho, com os dois pratos de comida trazidos de um restaurante popular, próximo do Ministério. Ao despedir-me, Lucho, como era conhecido, abraçou-me dizendo “a ver se todavia nos vemos en la vida”. Não nos vimos. Exilado na Suécia, Luis Figueroa morreria três anos depois.
Naquele clima, não foi difícil aos golpistas manobrar com as minorias da direita organizada. No Brasil, seja por que razões for, a situação é outra. Embora os problemas sociais ainda sejam graves, com a disparidade terrível entre ricos e pobres e a acumulação acelerada do capitalismo, a miséria está sendo combatida. É claro que seria melhor dar empregos do que subsídios da Bolsa-Família, mas – conforme dizia Herbert de Sousa, o Betinho, quem tem fome, tem pressa. Pouco a pouco estamos vencendo dificuldades muito antigas, como a da mortalidade infantil. A Pastoral da Criança é a mais efetiva ação de solidariedade de nossa História, com o envolvimento da própria população pobre.
Temos que entender a ira de certas parcelas da classe média. Elas têm vivido como vivem os ricos europeus. Contavam – e ainda contam, mesmo com menos facilidade – com servidores domésticos dóceis e mal pagos. Durante os governos militares, puderam comprar apartamentos e construir casas com juros subsidiados pelo BNH. Durante o governo passado, puderam consumir mercadorias importadas a preços irrisórios, em conseqüência de moeda supervalorizada pelo artifício dos mais altos juros do mundo. A situação lhes é ainda favorável, mas elas se sentem estimuladas, pelo preconceito contra o operário, a organizar-se para os protestos vazios.
O apelo contra a corrupção é o mais cínico de todos. Temos o dever de combater toda e qualquer corrupção de todo e qualquer governo. Há ladrões no governo Lula? Que os identifiquemos e os denunciemos ao Ministério Público e à Polícia Federal. Devem ir para a cadeia, como quaisquer delinqüentes. Mas os partidos que estão, por detrás do Sr. Dória Jr., manipulando a alienação e a desinformação da classe média, não têm lastro moral para combater a corrupção. Todos eles tiveram e têm os seus corruptos. No dia em que soubermos o que houve durante o governo chefiado pelo PSDB, o mundo cairá sobre as nossas cabeças. O que se dizer do comportamento ético do PFL, que um dia foi PDS; do PDS que um dia foi Arena; da Arena que um dia foi UDN?
Que desfilem as madames, se possível levando seus cãezinhos de estimação. O Sr. Dória Júnior que fature o que puder faturar em sua atividade de promotor de festas. Só podemos discordar do verbo usado. Uma coisa é “cansar-se” de ver um trabalhador no poder. Outra é cansar-se, como se cansam os operários e lavradores, de trabalhar a vida inteira e aposentar-se com menos de um salário mínimo. Os agitadores da classe média alta não podem estar cansados, pelo simples fato de que não sabem exatamente o que é trabalhar. Enquanto eles passeiam, com cães ou sem cães, o Brasil nada deve ao FMI, a dívida externa é inferior às reservas internacionais, as exportações crescem, e o povo vive bem melhor. E, mais ainda, os empresários nacionais (com a exceção dos incompetentes) estão satisfeitos com a administração da economia.





Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.

segunda-feira, julho 30, 2007

Can$ei














E viva a hipocrisia! Nossa eleite branca volta a atacar com seus poodles raivosos.

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=22215

Animados com o bombardeio midiático contra o governo Lula, ricos empresários, tucanos e demos (ex-pefelistas) lançaram em São Paulo o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, também batizado de ''Cansei''. Cinicamente, seus criadores garantem que a iniciativa é ''apartidária'', nascida após a tragédia do avião da TAM, e visa apenas protestar contra o caos reinante no país. Para dar uma aparência de legalidade, o movimento será liderado pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). Talvez saudosos das ''Marchas da Família, com Deus e pela Liberdade'', promovidas às vésperas do golpe militar de 1964 com apoio da embaixada dos EUA, o ''Cansei'' pretende organizar manifestações e investir pesado em publicidade.

sexta-feira, julho 20, 2007

CULPA DO LULA!




















1 - O aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) operou por instrumentos para pousos das 6h às 9h28 desta sexta-feira, devido à neblina - Notícia do site UOL as 11h09 - CULPA DO LULA!


2 - TAM confirma defeito no reversor do avião - site UOL as 11h54 - CULPA DO LULA!


3- O Corpo de Bombeiros vetou a presença da apresentadora Ana Maria Braga, do programa "Mais Você", da TV Globo, na calçada do prédio da TAM Express, que está destruído após o acidente com um avião da companhia, na noite de terça-feira (17) - site UOL - CULPA DO LULA!


4 - Record baixou uma norma proibindo seus funcionários de utilizar o aeroporto de Congonhas (zona sul de SP) em viagens de trabalho - Site UOL - CULPA DO LULA!


5 - Pneu de avião da Gol estoura durante pouso no MA- Agência Estado - CULPA DO LULA!


Lula você é culpado por tudo!

Serra - A falsidade atuante



O Governador José Serra, o presidente eleito, conforme reportagem da sua assessoria de marketing, a FSP, em reportagem publicada hoje, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2007200709.htm (so para assinantes), enviou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um ofício em que cobra da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e da Infraero (estatal que gerencia os aeroportos) medidas para eliminar "fatores estruturais, que geram riscos enormes, inclusive de queda de aeronaves". Serra, o presidente eleito, declarou a Radio CBN, outra agência que promove e cuida da imagem do presidente eleito, "que a ganância pelo lucro desenfreado das empresas de aviação aliada a conivência do Governo Lula são as responsáveis pelo os últimos acidentes aéreos".
Senhor governador, pergunto, como vai o consórcio de empresas que constrói a linha amarela do Metrô e que depois de pronta vai explora-lo economicamente?
Quais medidas o senhor tomou para averiguar as razões do acidente e responsabilizar os culpados?
Que medidas o senhor tomou ao saber que as obras do metro causavem rachaduras nas casas conforme denúncias dos moradores da região?
O seu vice-governador Alberto Goldman, na época, apontou falha na engenharia como a causa do acidente, falha do projeto ou da execução. O que o senhor declara a respeito?
O senhor era prefeito na época em que o seu subprefeito de Pinheiros, Nilton Elias Nachle, afirmou à polícia, em declarações após o acidente, que as reclamações de moradores sobre rachaduras em casas próximas ao desabamento eram simplesmente repassadas ao Metrô, sem abertura de investigação própria. As queixas também não eram repassadas à Defesa Civil. O senhor nada sabia?
Ao saber que o Metrô havia vetado a solicitação do Consórcio de aprofundar a construção do túnel que ruiu por que isso acarretaria elevação no custo da obra, como o sr reagiu, puniu alguém, cobrou maior segurança nas obras por parte de todos os responsáveis?
Momentâneo Governador, presidente eleito, José Serra, como fica esse caso?
Por que o senhor foge desse caso como o vampiro foge da estaca?

quinta-feira, julho 19, 2007

CRISE AÉREA - IMPRENSA E OPOSIÇÃO

O Brasil assistiu atônito na noite de terça-feira, dia 17 de julho último, ao maior desatre aéreo ocorrido no país.
As imagens transmitidas pelas TVs mostravam o horror que acontecia ao lado do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Cenas chocantes do incêndio que consumia o prédio da TAM, partes do avão Airbus encrustadas no prédio em ruínas. Estima-se que por volta de 200 pessoas perderam a vida nesse trágico acidente. Era uma noite fria na cidade, choveu de forma moderada mas contínua por todo aquele dia. Ficou mais fria e úmida com as imagens daquele acidente.
A grande imprensa, Rede Globo, Rádio CBN, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, O Globo, etc, partiram em suas reportagens a especular o porque do avião ter caído e após essa especulação colocaram seus colunistas para emitir opiniões e comentários sobre quem tinha a culpa do acontecido. Eles, elegeram rapidamente um culpado, o Governo Lula.
O governo Lula é culpado porque a pista do aeroporto de Congonhas, recém reformada, não possuia as ranhuras que garantiriam o escoamento da água e uma maior aderência dos pneus ao solo (grooving) e essa teria sido a causa do acidente, setenciaram. Alguns jornalistas/comentarista chegaram a afirmar que o Governo Lula foi criminoso.
Em nenhum momento procuraram a opinião de especialistas da aviação isentos, para informar fatos, característica do pouso de uma aeronave. Apenas decretaram ser o governo Lula um governo homicida.
Chegaram ao cúmulo da mentira ao opinar que o Presidente estava ausente, se escondia, fugia, não dava nenhuma declaração, quando na verdade logo após saber do ocorrido o Presindente através de uma nota declarou que estava chocado, consternado com o acontecido. Na mesma noite decretou luto oficial de 3 dias, criou um gabinete de crise com ministros, despachou imediatamente o Ministro da Aeronáutica, Juniti Saito, para São Paulo afim de acompanhar in loco a situação.
Hoje, para contrariar a grande imprensa golpista, a Infraero divulgou um vídeo com imagens captadas pelas câmeras postadas na pista aonde tentou descer o Airbus da TAM. Essas imagens, comparam a descida de um outro avião Airbus com as imagens do avião acidentado. O primeiro aterrisa numa velocidade muito menor que o segundo, ficando claro pelas imagens que sua velocidade, do Airbus acidentado, estava excessiva.
Na análise do vídeo, alguns especialistas afirmam que conseguem ver fumaça saindo de uma das turbinas o que pode evidenciar que o avião estava com problemas mecânicos no momento do pouso. Mas só teremos certeza de tudo após a análise da caixa preta que registra todos os dados técnicos do avião.
Mesmo após a divulgação desse vídeo e da palavra dos especialistas sobre o indicativo de problemas técnicos com o avião, comentaristas dessa imprensa golpista diziam sinicamente que não importava isso porque mesmo assim o governo era culpado, era só lembrar do caos dos aeroportos por causa da greve dos controladores, da qual culpam o governo.
Essa imprensa aliada aos políticos do PSDB e DEM estão criando um clima sectário na sociedade brasileira. Num artigo publicado hoje na FSP, o psiquiatra FRANCISCO DAUDT, colunista da Revista da Folha escreve: "Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". Sua coluna (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1907200743.htm) para assinantes, é um desfilar de ódio, rancor, preconceito e falsidade. Fomenta claramente o sectarismo de classes ao afirmar: "Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais "elites", que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer."
O sr faz o país crescer? Quem faz o país crescer são o operários, os trabalhadores rurais os assalaridos desse país. esses geram riqueza, esse senhor gera discórdia.
Esse senhor tem saudades, ele e a imprensa golpista, de FHC e do que ele nos proporcionou, do apagão de energia, da compra de votos, do dólar maquiado para ganhar a eleição e depois deixar o país de joelhos junto ao FMI, de elevar a inflação, proporcionar ganhos extraordinários de dinheiro aos seus pupilos que conduziam a economia nacional e se aproveitaram disso.
Incomoda a todos eles que o povo, não ainda como deve, estar se apossando desse pais.

Arquivo do blog

Powered By Blogger