Por Ricardo Amaral e Natuza Nery
BRASÍLIA (Reuters) - A disputa entre os deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP) pela presidência da Câmara é parte importante, mas apenas parte, de um contencioso entre o Partido dos Trabalhadores e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem como pano de fundo a sucessão presidencial em 2010.
"As relações entre o presidente e o PT nunca estiveram tão desequilibradas. Com o enorme apoio popular que recebeu nas eleições, Lula está impermeável às reivindicações do partido", disse à Reuters um dirigente petista que pediu para não ser identificado.
O partido quer de volta o Ministério da Saúde, que Lula entregou ao PMDB e planeja manter com seu maior aliado. Além disso, petistas temem a diluição de sua identidade num governo de coalizão ampla, com um presidente carismático, que tem apoio da maioria dos movimentos sociais independentes dos partidos.
"O segundo mandato não é o começo da aposentadoria política de Lula. Ele vai influir na sucessão para dar continuidade a esse projeto político, que não inclui apenas o PT mas todas as forças que apóiam o governo", disse um ministro petista, também na condição de anonimato.
Embora a maioria da bancada do PT na Câmara esteja apoiando Chinaglia, há uma disputa interna pela direção do partido, que deve ser renovada ainda este ano e vai influir decisivamente na escolha do candidato à sucessão de Lula.
O PT não tem um nome natural para 2010, mas três "balões de ensaio" flutuam sobre o partido: a ministra Dilma Roussef, como nome "do Planalto"; a ex-prefeita Marta Suplicy, representando a "velha ordem" da máquina partidária, e o governador Jaques Wagner, pela corrente que se fortaleceu na crise de 2005.
E os problemas do PT não se restringem a disputas internas. Lula pode sacar seu candidato de um dos partidos da coalizão. Ele já contava com Ciro Gomes, do PSB, e agora tem Sérgio Cabral (PMDB), novo e privilegiado aliado, com o potencial do governo do Rio para se projetar nacionalmente. "O problema da sucessão está na cabeça de todo petista desde o dia da reeleição, principalmente pela possibilidade de Lula apostar em um aliado", disse o dirigente que diagnosticou o "desequilíbrio" na relação com o Planalto.
PECADO ORIGINAL
Na presidência da Câmara, o PT poderia reequilibrar essa relação. O posto daria ao partido o controle sobre a agenda legislativa, numa safra de reformas, e sobre um orçamento anual de cerca de 2 bilhões de reais.
A conquista da Câmara também daria ao partido um papel mais relevante na coalizão de governo -- onde o PMDB é o maior entre dez partidos -- e o segundo lugar na linha de substituição de Lula, logo depois do vice José Alencar.
Lula esperava uma tranquila reeleição de Aldo Rebelo e encarava a candidatura Chinaglia como um movimento tático do PT para pressioná-lo a garantir e, se possível, ampliar espaços no governo, em disputa com os partidos da coalizão.
"O cálculo político era que o Chinaglia se contentaria com um ministério, mas a disputa avançou tanto de lá para cá que esse tipo de solução pode ter se inviabilizado; ficaria uma imagem de fisiologismo", disse um político aliado.
Nesta quinta-feira, um dia depois de terem sido recebidos separadamente por Lula, tanto Chinaglia quanto Rebelo negaram enfaticamente a hipótese de qualquer um deles sair do páreo em troca de um cargo na Esplanada.
O estrago provocado pela disputa pode se estender ao PMDB, que também se divide entre as duas candidaturas. O presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), tende a apoiar Chinaglia; Aldo é ligado ao grupo do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL).
A candidatura de Chinaglia foi estimulada também pelo ex-ministro José Dirceu. O ex-ministro planeja apresentar um projeto de iniciativa popular propondo sua anistia (ele foi cassado como deputado em 2005) e quer contar, para isso, com um aliado na presidência da Câmara.
Lula não tentou impedir a candidatura de Chinaglia quando isso seria mais fácil e agora se queixa do estrago que a disputa pode provocar na coalizão, dividindo os partidos e especialmente o PMDB.
Segundo um político aliado, Lula disse que o pecado original de Chinaglia foi lançar seu nome pelo PT. "Se ele queria o lugar do Aldo, deveria ter construído a candidatura pela base do governo, não por um partido", teria dito Lula.
PT SEM PELÉ
Desde a campanha da reeleição, Lula procurou manter uma relação institucional e mais organizada com o PT. Ele vem fazendo reuniões periódicas com a direção do partido e com o conselho político, que congrega as correntes internas.
Em público, no entanto, parecem cada dia mais distantes. Nos dois discursos da segunda posse, em 1o de janeiro, o PT sequer foi mencionado, ao contrário do que ocorreu em 2003.
"Ele não citou o PMDB, PCdoB, PSB, PDT. Por que iria citar o PT se está criando um governo de coalizão", questionou o ministro petista do Planejamento, Paulo Bernardo.
Para o PT, os ministros da coordenação de governo (Justiça, Casa Civil, Secretaria-Geral, Relações Institucionais e Fazenda) são da cota pessoal de Lula. O partido quer mais ministros nas áreas social e de infra-estrutura, mas dificilmente conseguirá.
"Ganhei as eleições com esse ministério, que foi aprovado pelo povo. Não estou vendo nenhum Pelé no PT que me obrigue a mudar a escalação", disse Lula, recentemente, a um amigo que perguntou sobre a reivindicação petista.
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Ele de novo: O Farol da Alexandria

Como diz Paulo Henrique Amorim, FHC o Farol da Alexandria, só ilumina a antiguidade, ataca novamente.
Noticia Josias de Souza em seu blog, http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br, que FHC "considera Aldo como “o mal menor”. Não vê razões, porém, para que o PSDB se esquive de examinar alternativas. Avalia que o partido deveria adiar ao máximo uma definição formal no processo de escolha do novo comandante da Câmara. E, a depender do avanço das articulações, associar-se à idéia da terceira via"
FHC, com certeza, sabe como lidar com o Congresso, vide aprovação da emenda da reeleição, sabe que no nosso sistema governar sem o Congresso é um tiro no pé e como não conseguiu emplacar a idéia do "se ganhar não governa" parte agora para palpitar sobre a eleição na Câmara.
Bem que FHC poderia ir cuidar da sua Fundação lá nos EUA.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Eles de novo!

Pra variar os deputados Gabeira e Raul Jungmann iniciaram um movimento para lançar uma candidatura "independente" à Presidência da Câmara dos Deputados.
Há tempos, os dois deputados, tem se especializado em atitudes para estarem sempre à Luz dos holofotes.
Na CPI dos sanguessugas, marcaram posição, para que o dossiê das denúncia fosse investigado a fundo. Não importou para eles que a investigação fosse mais a fundo nas ações do Sr Barjas Negri e o Sr Abel Pereira, suspeitos de irregularidades na licitação de ambulâncias no período FHC.
Funcionam os dois, Gabeira e Jungmann, como linha auxiliar do PSDB para dificultar as ações do governo Lula
Infelizmente, por ação do PT Poder, que lançou Arlindo Chinaglia, a eleição na Câmara vai se tornando um grande "imbroglio" que exigirá de Lula muita lucidez, paciência e jogo político para resolver a questão
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