quarta-feira, janeiro 03, 2007

Charge de Pelicano

Público e Privado

“Vamos trabalhar no setor público da mesma maneira que se faz no setor privado” frase extraída do discurso do novo governador do Distrito Federal , José Roberto Arruda (PFL-DF)

A colocação do Governador do DF encerra o desejo, que há anos é dogmatizado pelo empresariado tornar a coisa pública em privada, ou melhor, que a maioria das ações das quais o Estado é responsável esteja nas mãos da iniciativa privada, principalmente aquelas em que os senhores empresários visualizem lucros.

O público, entendo, é o bem comum, comum a todos os cidadãos, é servir. O privado visa o lucro, a eficiência para produzir mais e com maiores ganhos.

Há tempos se criou uma concepção errônea e com interesses escusos de que o serviço público, ou melhor os servidores públicos vivem de uma grande mamata, ganham bem, não trabalham, etc.

Tornar o Estado uma empresa privada, ou olhar como tal, significa fazer opções pelo que é mais vantajoso e lucrativo é abandonar ações e compromissos com o que é oneroso.

Muito se privatizou neste país. Privatizações de sucesso e outras de grande desastre.

Até hoje a indústria dos planos de saúde tenta de todas as formas o desmonte dessa atividade pelo Estado e, em parte, conseguiu. O ensino, principalmente o universitário, também passa por essa via crucis.

Precisamos cada vez mais incluir as pessoas e especialmente os mais sofridos e não cada vez mais afastá-los da dignidade como até hoje ocorre

Comentário - BLIG DO TÃO

enviado por: João Sabóia Jr
Site: http://livresreflexoes.blogspot.com

Tão,
Que o ano, para você e pro Brasil, seja muito bão!

Você, pela proximidade do seu trabalho, acompanhou a trajetória desse homem de perto, ou com atenção redobrada e sabe muito mais do que eu.
Ele começou a me cativar desde o tempo de presidente do sindicato dos metalúrgicos, foi, talvez, um dos primeiros oposicionistas que a ditatura realmente temeu ser desafiada pela unidade e dimensão que deu ao movimento metalúrgico. De Lula nasceu o PT, os intelectuais que viram nele a possibilidade da criação desse partido, nunca deixaram de ser apenas planetas girando na sua órbita.
Lula é o primeiro presidente que realmente veio do povo, tivemos outros que se importaram com o povo, como Jango, Getúlio, até Juscelino, mas esses são vindos da classe dominante. Lula é nascido e marcado pelas dificuldades que nosso povo, principalmente o nordestino, sofreu e ainda sofre. Lula é cachaça, palavrão, feijão com farinha, companherismo, singeleza, autenticidade, pele dura, como são forjados a maioria dos homens pobres deste país.
Veja as fotos de Lula e de outros candidatos quando estão misturados na multidão. Lula abraça, beija, mistura seu suor ao do cidadão comum com a maior naturalidade, ou melhor, faz o que o povão faz.
Por tudo isso, para mim, Lula representa um momento histórico e único para esse país, um momento em que realmente esse povo possa romper os grilhões que há séculos os prende e dilacera seus corpos.
Foi um primeiro mandado sofrível, mas há atenuantes, a desconfiança na sua primeira posse, o empresariado arredio e pronto para bater por qualquer motivo que lhe desagradasse os interesses, o medo do PT governar propondo mudanças profundas, medo da ingovernabilidade. Mas, passou, espero!
Vejo, hoje, um homem mais maduro politicamente, mais senhor da situação, sabendo que o importante é o povo e não a intelectualidade que quer ditar o caminho a seguir. Um homem que pode ser o instrumento fundamental para colocar o povo brasileiro no seu devido lugar que é a dignidade humana.

Essa é minha opinião e meu desejo para os próximos 04 anos do seu mandato.

Um abraços, e desculpe ter sido muito extenso é que seu texto me tocou a alma, como na maioria dos que você escreve!

Revejam 'Entreatos' e entendam quem é Lula

Postado no blog do jornalista TÃO GOMES PINTO (http://taogomespinto.blig.ig.com.br)

Existem dois caminhos para voce se aproximar de Luiz Inácio Lula da Silva.
Um é convivendo com ele no dia-a-dia. Mas esse é reservado a uns poucos. Dona Marisa Letícia, claro.

Ou talvez exercendo as funções de um Gilberto Carvalho, que, visto por mim à distância, parece, hoje, o assessor mais próximo.

Pelo caminho da aproximação via interposta pessoa, acho difícil alguém chegar a conhecer, de fato, quem é esse homem.

Há o Luiz Inácio dos gestos e atitudes de carinho. Ele é pródigo nesse departamento das relações humanas.

Hà tambem o das 'broncas', dos chamados 'esporros'.

Lula sem dúvida gosta das pessoas, gosta de ter sempre gente - se possível mais uma pessoa à sua volta.

Poucos, como ele, tem a competência para, com uma simples frase, quebrar toda a tensão que pesa em determinados ambientes e/ou situações.

Ele não faz o perfil do político do cochicho ao pé de ouvido, ou que dá preferência às conversas tetê-a-tete.

É do tipo que só fecha a porta para uma conversa a dois, quando um dos interlocutores - ou seja, ele - já decidiu o resultado da conversa.

Antes desse momento de decisão, prefere a roda de consultores, assessores, aspones, o que for.

Não que necessariamente preste atenção no que dizem. Mas, no meio de um reunião, é capaz de capturar no ar, em meio ao tumulto aparente, a frase meio solta, que ficou perdida na algaravia da reunião.

Lula guarda essa frase com cuidados especiais.

Alimenta-a durante algum tempo como se fosse um pássaro raro. Sabe que vai precisar dela - da frase ou da idéia nela embutida - mais tarde.

Sua simpatia e espontaneidade são irradiantes. Ele sabe como brincar com as pessoas sem machuca-las, tem uma habilidade digna de um ex-torneiro mececânico para soltar seus palavrões sem ofender diretamente a ninguém.

Palavrões saem da sua boca com a naturalidade e ficam como que boiando no ar. Não são direcionados, flutuam.

E embora ele tenha adquirido a fama de indeciso, de vacilante, uma imagem que as oposições fizeram o possivel para grudar na sua figura, é ele quem manda, é ele quem decide.

As vezes demora um pouco. Mas quando põe o rosto entre as mãos e fica nessa posição dois, tres, dez segundos, e sai cantarolando um sambinha da velha guarda, podem crer, que ele está tomando, ou melhor, já tomou, sua decisão.

Esse Luiz Inácio Lula da Silva está à disposição nas locadoras de DVDs para quem quiser ver ou rever o trabalho notável da equipe de João Moreira Salles, o filme 'Entreatos''

Eu aproveitei o dia da posse e a chuva insistente em Brasilia no dia 1 de janeiro para reencontrar-me com esse personagem para mim ainda inexplicado e eu, diria mais, inexplicável.

Foi um reencontro importante.

Lula vai ter um segundo mandato. E, embora o filme trate da primeira campanha, mais do que nunca ele é indicativo de como deverá se comportar o presidente agora, depois da reeleição.

A campanha dura para se reeleger, os embates, as ofensas recebidas e algumas devolvidas, haviam feito com que eu deixasse escapar da memória uma parte grande das imagens que tanto me impressionaram quando assisti 'Entreatos' pela primeira vez.

A tal coisa da indecisão, do homem que tinha a cabeça feita pelo Zé Dirceu, ou que se deixou conduzir como um bobalhão pelas mãos sem dúvida imaginosas de um Duda Mendonça, que seria o inventor do ' Lulinha Paz e Amor', tudo isso desmorona, não fica versão sobre versão, pedra sobre pedra, se você estiver disposto a rever o filme de João Moreira Salles com os olhos voltados para o futuro, para o segundo governo Lula, que deverá ser muito melhor conduzido do que o primeiro.

Se alguem fez a cabeça de alguem, foi Lula que fez a de Dirceu. E foi Lula que captou a mensagem do 'Lulinha, Paz e Amor' e decidiu usa-la no momento em que a sua intuição determinou.

Já se tentou transformar 'Entreatos' numa espécie de 'filme denúncia. Alguém, em editorial, lembrou que toda a 'quadrilha' denunciada pelo procurador Antonio Fernando, aparece no filme.

De fato, aparece. Mas entra muda e sai calada.

Inclusive, numa das cenas o eterno 'conspirador' José Dirceu revela seus temores que as imagens gravadas por Moreira Salles fossem parar em algum arquivo implacável de algum inimigo feroz do regime.

Mas sua intenvenção fica nisso, e numa piada de Lula dizendo que todo mundo gostaria de saber o que fez Dirceu na sua temporada cubana.

Aliás, seria importante lembrar que os citados 'quadilheiros' não só entram mudos e saem calados do filme, como sairam do próprio novo governo Lula.

Dizem que Lula, sem Dirceu, Palocci, Gushiken e Cia. está sozinho.

Na minha opinião essa solidão só fará bem a Lula. Naquela hora em que ele acende a cigarrilha e fica pensando, não terá ninguèm dando paplite ao seu lado.

E fica quase explícito no filme que esses são os 'momentos' de Lula.

Recomendo vivamente aos meus raros parceiros deste blog: assistam novamente o 'Entreatos'. Aqueles que por acaso não viram o filme, corram à locadora rápído.

O verdadeiro Lula está lá. Nas falas, nas análises políticas, e especialmente nos momentos de silêncio, quando, percebe-se, ele reflete antes de fazer um comentário.

É uma aula de política, acima de questões partidárias, acima de ideologias.

Uma aula dada por um homem que o destino escolheu para uma missão que às vezes parece impossível. Até para ele.

Governar o Brasil.

terça-feira, janeiro 02, 2007

OPINIÃO - DISCUSO DE POSSE - LULA 2007




Lula em seu discurso no Congresso Nacional deixou claro seu compromisso com os necessitados desse país, lembrando sua origem pobre e sua trajetória até a Presidência da República, fez desse relato a sua justificativa para reafirmar sua opção e compromisso com a camada mais pobre desta Nação.

“Muito tentamos nos últimos quatro anos, mas fatores históricos, dificuldades políticas e prioridades inadiáveis fizeram com que nosso esforço não fosse inteiramente premiado”.

Lula, neste trecho do discurso, dá a explicação, ainda que superficial, sobre porque no seu primeiro mandato não foi possível realizar todas as mudanças que almejamos.

Precisamos recordar do momento histórico que nosso país vivia em 2003.
Havia a grande desconfiança de que o seu governo desestabilizaria a Nação. O “mercado” e o empresariado estavam extremamente desconfiados e arredios. A inflação voltava a incomodar. E acredito que no próprio governo havia temores de que medidas radicais levariam a ingovernabilidade. O PT e Lula tiveram medo de governar.

Segue seu discurso alinhavando as idéias que pretende para destravar, palavra da moda, a economia brasileira, suas prioridades:
Responsabilidade fiscal.
Aumentar o investimento público e desonerar o investimento privado.
Investimento em energia elétrica e em bio energias, expandir o Luz para Todos.
Legislação unificada para o ICMS.
Queda na taxa de juros.
Comércio exterior

Segue, fazendo a defesa do Bolsa Família, e critica aqueles que chamam o projeto de assistencialista e populista.

Dá ênfase a questão da Educação como instrumento fundamental para o progresso de um país.
Chama ao entendimento a oposição através da prática política:”Temos de construir consensos que não eliminem nossas diferenças, nem apaguem os conflitos próprios das sociedades democráticas”. Mas também dá um recado claro a PSDB e PFL: ”O povo fez uma escolha consciente. Mais do que um homem, escolheu uma proposta, optou por um lado”.
Para mim, um discurso consistente, maduro. Espero que consiga realizar o que discursou, espero que daqui a 4 anos este país esteja definitivamente nos trilhos do desenvolvimento, da justiça social e do progresso.
Minha opinião e meu desejo.

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